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Periquita & Gin Club | PROTOTYP& Chão de Fábrica

Periquita & Gin Club | PROTOTYP& Chão de Fábrica

O objetivo era modernizar o espaço com pequenas intervenções arquitetônicas e de decoração de interiores com a intenção de construir uma nova identidade para um lugar, que se localiza em uma das áreas mais frequentada de São Paulo. A intenção foi dar um tom aconchegante e informal usando móveis com referências vintage-industriais e uma iluminação quente e difusa.

A fachada adquiriu visibilidade, mesmo que situada em uma rua estreita, graças ao grande néon rosa e ao toldo listrado, estimulando a curiosidade de entrar na primeira área, coberta inteiramente de vidro para trazer a luz natural até alcançar o fundo escuro do local. Nessa área de entrada, os protagonistas são as luminárias personalizadas feita com faróis da Fusca e a vegetação de plantas tropicais penduradas na estrutura da cobertura.

O piso nesta área de amortecimento é o original, alternado com faixas de concreto, enquanto na parte interna é mantida a madeira original após um tratamento especial. Os elementos estruturais como os pilares, o teto e grande parte das paredes voltaram para o estado original, para dar simplicidade e clareza ao ambiente. Uma espécie de madeira brasileira (peroba rosa) foi utilizada para encobrir parte das paredes, juntamente com um mosaico de cerâmica hexagonal branca para a área do bar e um papel de parede personalizado para as escadas.

A maioria dos móveis foram projetados especialmente para este bar como é o  caso do longo sofá modular, feito de uma estrutura leve de metal e almofadas de couro, ou as cadeiras de metal, projetadas para uma longa durabilidade e alta resistência. Na parte traseira do balcão do bar, foram construídas mesas retráteis para a possibilidade de adaptar o espaço de acordo com os diferentes eventos que poderiam ocorrer. A estrutura do balcão do bar suporta tanto o tampo de madeira como as banquetas, que flutuam permitindo um movimento rotativo de 180°.

Localização R. Vitório Fasano, 35 - Cerqueira César, São Paulo - SP

Arquiteto Responsável Felipe Protti

Ano do projeto 2019

Fotografia: Mariana Orsi

Enfrentando o desafio de intervir em um edifício Niemeyer em São Paulo

Enfrentando o desafio de intervir em um edifício Niemeyer em São Paulo

Texto: Rab Messina

Fotos: Mariana Orsi e Felipe Protti

Mais imagens: Restaurante Vista

SÃO PAULO - Pense neste cenário: como uma empresa de design você é solicitado a intervir em um espaço no telhado com tetos baixos e transformá-lo em um restaurante.

O problema? É um edifício de Oscar Niemeyer dos anos 50 em São Paulo, e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Brasil que proíbe qualquer mudança estrutural - não importa que o próprio Niemeyer nunca pretendeu que o espaço verticalmente apertado tivesse qualquer uso comercial. O layout foi inicialmente implacável.

Mas a Prototyp& foi mais do que o desafio: a equipe conseguiu brincar com as limitações e criar um ambiente generoso, cheio de luz que agora abriga o Restaurante Vista, apropriadamente chamado.

O primeiro obstáculo era, ironicamente, a própria fachada: os projetistas estavam presos à construção original; isso significava que eles não poderiam adicionar soluções estruturais para questões funcionais. Por exemplo: o cliente solicitou uma pequena cobertura ao redor do prédio, para proteger os clientes da chuva, mas foi rejeitada, pois alteraria os visuais da fachada.

Então, em vez disso, decidiram mostrar para Niemeyer as coisas que são de Niemeyer e se concentraram em olhar para dentro: a maioria das soluções funcionais era aplicada em ambientes internos. O exterior veio através de uma série de 10 grandes janelas de vidro, com o bar Obelisco servindo de barreira entre os dois ambientes.

Há outro elemento que une a permeabilidade de fechamento aberto: o cobogó. O humilde bloco de concreto perfurado, nascido na calorosa cidade nordestina de Recife, foi poeticamente utilizado pelo próprio Lúcio Costa e pelo próprio Niemeyer em seus projetos - com mais orgulho, no Pavilhão Brasileiro, na edição de 1939 da Feira Mundial de Nova York. Originalmente um ícone do modernismo local, foi considerado humilde demais nos anos 80 e 90, mas agora está desfrutando de um retorno. O time da Prototyp& concebeu uma parede em cobogó com um design circular que não apenas homenageou o criador do espaço, mas também apresentou sua própria ideia de permeabilidade espacial. "Era importante para nós escolhermos um modelo de cobogó que fosse simples e ainda assim representasse algum tipo de pureza geométrica", explicou o fundador do estúdio, Felipe Protti.

E quanto a essa altura do teto? Eles decidiram remover o forro e expor as vigas, ganhando mais do que alguns centímetros de boas-vindas. Eles construíram o efeito pintando os elementos de concreto recém-visíveis em um tom quase branco, de modo a criar uma ilusão de iluminação. "Mas ainda não sabemos por que os tetos eram tão baixos", refletiu Camila Paulon, da Prototyp&. "Na verdade, vimos alguns outros projetos em que Niemeyer manteve o teto muito mais baixo do que se poderia esperar. Alguns dizem que ele fez isso para tornar a horizontalidade do prédio muito mais evidente ... mas ainda não sabemos se esse foi o caso aqui.

Mistério à parte e problema resolvido, ainda há um desafio permanente para a Vista e seus arredores: o restaurante fica no último andar do local relativamente novo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Embora enfrente diretamente o querido e popular complexo do Parque Ibirapuera, com suas estruturas também concebidas por Niemeyer, o MAC-USP ainda não é tão conhecido pelos moradores - a maioria ainda acha que abriga o ex-ocupante do prédio há cinco anos, o Departamento de Trânsito do Estado (DETRAN). Mas essa nova opção de hospitalidade, liderada pelo premiado chef Marcelo Corrêa Bastos, pode mudar isso: talvez, por oferecer uma das vistas mais privilegiadas do famoso horizonte da cidade infinita do Brasil dentro de um ambiente certamente agradável, os paulistanos podem vir pelo o panorama e pela decoração modernista, mas fiquem por conta das Tarsilas e dos Picassos.

Localização Av. Pedro Alvares Cabral 1301, São Paulo

Lar Mar Bar | PROTOTYP& Chão de Fábrica + Felipe Protti

Lar Mar Bar | PROTOTYP& Chão de Fábrica + Felipe Protti

O Lar Mar é o destino das pessoas que estão em São Paulo, mas gostariam de estar na praia. Aproveitando-se de uma casa abandonada com um generoso quintal, o projeto consiste substancialmente em uma reforma. A maioria das intervenções arquitetônicas foram leves demolições, quebrando o mínimo possível para preservar a identidade do espaço, mas permitindo a livre circulação.

O local atualmente se apresenta como um espaço único, completamente conectado em todas as suas partes. A entrada pela escada frontal dá acesso à loja, cujo espaço é uma grande sala com um telhado alto, onde as vigas estão em evidência, pintadas de preto em contraste com o branco do teto. O gesso das paredes foi removido para manter os tijolos aparentes deixando o espaço com uma atmosfera industrial minimalista.

Do outro lado da sala há escadas que levam ao verdadeiro protagonista do projeto: o quintal, onde se encontram o restaurante Gavioto e a cozinha, esta desenvolvida em um espaço mais aconchegante e tranquilo. O mobiliário é simples e despretensioso, composto principalmente por estruturas metálicas e madeira. Para evitar filas e melhorar a experiência do consumidor, dois bares distintos foram projetados, um servindo apenas cerveja e os outros coquetéis. Eles estão posicionados nos lados da piscina de areia, o foco principal do projeto.

Um quadrado de 9x9m foi escavado e preenchido com 18 toneladas de areia. Os degraus de concreto que circundam a piscina dão liberdade de se sentar onde quiser, criando níveis diferentes para o expectador. No fundo há uma nova construção que inclui o bar de cerveja, os banheiros secundários e o vestiário de funcionários, enquanto na parte superior fica a “shaper room”, onde são criadas as pranchas de surf. Os revestimentos das paredes podem ser resumidos em apenas alguns materiais: chapisco pintado de preto, tijolo e madeira, todos pintados de branco. O piso externo é de cimento queimado, dando unidade a todo o espaço, buscando simplicidade e praticidade.

Localização: R. João Moura, 613 - Pinheiros, São Paulo

Arquiteto Responsável: Felipe Protti

Arquiteto assistente: Tommaso Croattini

Ano do projeto 2017

Fotografia: Mariana Orsi